sábado, 18 de maio de 2013

EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL

 
Os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) são dispositivos e/ou acessórios destinados a serem utilizados pelo trabalhador para proteger dos riscos quando não poderem ser evitados, dentro de limites aceitáveis, por meios técnicos de proteção coletiva ou por processos de organização do trabalho.

Os Equipamentos de Proteção Individual devem respeitar as disposições comunitárias referentes à sua conceção e construção em matéria de segurança e saúde, devem ser adequados relativamente aos riscos a prevenir, sem que eles próprios induzam a um incremento do risco e por último devem ser adequados às características do portador. Todo o Equipamento de Proteção Individual é de uso pessoal pelo que na realização de qualquer trabalho deva estar à disposição dos trabalhadores, o equipamento mais adequado para o trabalho a efetuar. Um equipamento de proteção individual deve ser:
ü  Eficaz (adequado aos riscos a proteger);
ü  Robusto;
ü  Prático;
ü  Cómodo;
ü  De fácil limpeza e conservação.

A colaboração do trabalhador é, pois, um fator fundamental, no processo de seleção do Equipamento de Proteção Individual porque, por um lado, permite receber informação direta do próprio trabalhador (que pelo seu contacto diário com o processo/máquina conhece aspetos que a outros podem passar despercebidos) e por outro, a codecisão entre a chefia e o trabalhador permite que este se sinta parte integrante no processo de seleção do equipamento (aumentando a motivação para o seu uso) reduzindo a possibilidade da sua rejeição. Interessa também referir que o trabalhador tende a ser influenciado pelo exemplo dos seus superiores hierárquicos, ou seja, um chefe que não faz uso correto do Equipamento de Proteção Individual pode motivar o desinteresse do seu uso no trabalhador.


Escolha do Equipamento de Proteção Individual adequado

A escolha do Equipamento de Proteção Individual deverá ser feita com base na avaliação dos riscos existentes em cada posto de trabalho. Na Portaria nº 988/93 de 6 de Outubro, foi publicado no anexo I, um quadro que permite estabelecer uma ligação entre o risco (físico, químico ou biológico) e a parte do corpo do trabalhador potencialmente afetada.
Na Portaria supracitada, no anexo II encontra-se uma lista com os vários tipos de equipamentos de proteção individual, que permite fazer o cruzamento com as atividades em que podem ser necessários.
 
A seleção dos Equipamentos de Proteção Individual deverá ter em conta:
ü  As características do posto em que trabalha;
ü  Os riscos a que o trabalhador está exposto;
ü  As condições em que trabalha;
ü  A parte do corpo a proteger;
ü  As características do próprio trabalhador.


Principais tipos de Proteção Individual

Os tipos de Equipamentos de Proteção Individual podem variar dependendo do tipo de atividade ou de riscos que poderão ameaçar a segurança e a saúde do trabalhador e da parte do corpo que se pretende proteger, tais como:

  • Proteção da Cabeça
A cabeça deverá ser adequadamente protegida perante o risco de queda de objetos pesados, pancadas ou projeções de partículas.
A proteção da cabeça obtém-se mediante a utilização de capacetes de proteção, os quais devem ser apresentar elevada resistência ao impacto e à penetração.
 Capacete de proteção em termoplástico
 
  • Proteção dos Olhos e do Rosto
Os olhos constituem uma das partes mais sensíveis do corpo, onde os acidentes podem atingir a maior gravidade.
As lesões nos olhos, ocasionadas por acidentes de trabalho, podem ser provocadas por ações mecânica (poeiras, partículas), óticas (luz visível, raios laser), químicas (produtos corrosivos) ou térmicas (temperaturas extremas).
Os olhos e o rosto protegem-se através da utilização de óculos e viseiras apropriadas, cujos vidros deverão resistir ao choque e às radiações, conforme os casos.
Óculos e viseira de proteção
 
  • Proteção das Vias Respiratórias
A atmosfera dos locais de trabalho encontram-se, muitas vezes contaminada em virtude da existência de agentes químicos agressivos, tais como gases, vapores, neblinas, fibras, poeiras.
A proteção das vias respiratórias é feita através dos chamados dispositivos de proteção respiratória, que consiste na utilização de máscaras. 
Máscaras de Proteção
 
  • Proteção Auditiva
O ruído é um dos principais responsáveis pela degradação das condições ambientais, contribuindo para o aparecimento de doenças no aparelho auditivo e do foro psíquico ou ocasionar situações favoráveis à ocorrência de acidentes. Para a eliminação destes riscos deve limitar-se a exposição dos trabalhadores ao ruído, através de medidas técnicas aplicadas aos equipamentos/máquinas e só quando estas são impossíveis de concretizar por razões económicas ou técnicas recorrer às medidas organizacionais e/ou à utilização de Equipamentos de Proteção Individual.
Os dispositivos de proteção do aparelho auditivo são de dois tipos: protetores auriculares do tipo abafador e os dispositivos de inserção no canal auditivo.
 
Protetores auditivos
 
  • Proteção do Tronco
O tronco é protegido através do vestuário, que pode ser confecionado em diferentes tecidos.
Em certos casos podem ser utilizados aventais contra a projeção de líquidos (corrosivos ou não) ou contra radiações.
Para proteção contra óleos e outros produtos químicos serão de preferir materiais plásticos como o PVC, o neopreno de baixa densidade.
Na defesa contra radiações é aconselhável o couro.
Vestuário de proteção
  • Proteção dos Pés
A proteção dos pés deve ser considerada quando há possibilidade de lesões a partir de efeitos mecânicos, térmicos, químicos ou elétricos.
Quando há possibilidade de queda de materiais, deverão ser usados sapatos ou botas revestidos interiormente com biqueira de aço, eventualmente com reforço no artelho e no peito do pé. Em certos casos, verifica-se o risco de perfuração da planta dos pés, devendo, então, ser incorporada uma palmilha de aço no respetivo calçado.
Botas de biqueira de aço 
  • Proteção das Mãos
Os ferimentos das mãos constituem o tipo de lesão mais frequente que ocorre na indústria. Daí a necessidade da sua proteção.
O braço e o antebraço estão, geralmente, menos expostos do que as mãos, não sendo, contudo de subestimar a sua proteção.
Como dispositivo de proteção individual utilizam-se luvas, dedeiras, mangas ou braçadeiras.
Luvas de Proteção Individual 
  • Proteção contra quedas
A proteção contra quedas em altura deve ser feita através da utilização de um arnês ligado a um sistema para-quedas. Na posição de trabalho pode o trabalhador eventualmente ficar preso a uma corda de amarração, a qual permite dispor das mãos livres para a execução de qualquer tarefa. O sistema para-quedas pode ser do tipo retrátil ou amortecedor de quedas.
Arnés
 
 
O uso de Equipamentos de Proteção Individual é muito importante para se evitar os riscos que determinado trabalho pode causar a saúde do trabalho e também evitar problemas nos trabalhadores.

Documentos de Referência:

domingo, 12 de maio de 2013

RUÍDO


O Ruído constitui uma causa de incómodo para o trabalho, um obstáculo às comunicações verbais e sonoras, podendo provocar fadiga geral e, em casos extremos, trauma auditivo e alterações fisiológicas extra-auditivas.
 
As ondas sonoras podem transmitir-se da fonte até ao ouvido, tanto diretamente, pelo ar, como indiretamente, por condução nos materiais – estruturas sólidas, paredes, pavimentos e tetos, que funcionam como fontes secundárias. Quando o ruído atinge determinados níveis, o aparelho auditivo apresenta uma fadiga que, embora inicialmente seja suscetível de recuperação, pode em casos de exposição prolongada a ruído intenso transformar-se em surdez permanente devido a lesões irreversíveis do ouvido interno.
 
Pode definir-se ruído, do ponto de vista físico, como toda a vibração mecânica estatisticamente aleatória de um meio elástico. Do ponto de vista fisiológico, será todo o fenómeno acústico que produz uma sensação auditiva desagradável ou incomodativa.
 
A intensidade de um ruído não é o único fator que determina a sua perigosidade; a duração da exposição é também muito importante.
No caso do ruído no trabalho, esta duração é geralmente de um dia, esta duração é normalmente de um dia de trabalho de oito horas.

Níveis de Pressão Sonora
 
Ruído no Trabalho
Diariamente, milhões de trabalhadores europeus são expostos ao ruído e a todos os riscos inerentes a essa exposição nos seus locais de trabalho. Sendo o ruído um problema para determinados sectores como a indústria transformadora e o sector da construção, ele pode igualmente constituir um problema para um vasto leque de outros ambientes de trabalho, desde centros de atendimento telefónico a escolas, bares, entre outros.
Um em cada cinco trabalhadores europeus fala alto durante pelo menos metade das suas horas de trabalho e 7% sofre de problemas auditivos relacionados com o mesmo. De acordo com os dados disponíveis, a perda de audição provocada pelo ruído é a doença ocupacional mais comum na União Europeia.
 
Qual o risco que o ruído pode causar?
Não é necessário existir um ruído excessivamente elevado para gerar problemas no local de trabalho. O ruído pode associar-se a outros perigos no local de trabalho e aumentar os riscos para os trabalhadores, como por exemplo:
ü  Aumentando o risco de acidente ao impedir que sinais de aviso sejam ouvidos;
ü  Aumentando o risco de perda de audição por interação com a exposição a determinados químicos; ou sendo um fator causal no stress relacionado com o trabalho.
 
Uma exposição prolongada ao ruído pode colocar os trabalhadores perante vários riscos na sua segurança e saúde, nomeadamente:
ü  Perda de audição (o ruído excessivo prejudica parte do ouvido interno);
ü  Fadiga auditiva, que é determinada pelo grau de perda de audição e pelo tempo que o ouvido demora a retomar a audição inicial;
ü  Efeitos fisiológicos: efeitos sobre o sistema cardiovascular e o aumento da pressão arterial;
ü  Stress relacionado com o trabalho. O ruído no ambiente de trabalho pode ser stressante, mesmo em níveis bastante baixos;
ü    Risco acrescido de acidentes: os elevados níveis de ruído dificultam a audição e a comunicação dos trabalhadores entre si e aumentam, por conseguinte, a probabilidade de ocorrência de acidentes.
 
Reduzir o Ruído
As entidades empregadoras têm o dever legal de proteger a saúde e a segurança dos seus empregadores de todos os riscos no local de trabalho relacionados com o ruído. Desta forma, têm o dever de realizar uma avaliação dos riscos, que pode passar por medições do ruído, mas deve ter em conta todos os potenciais riscos provenientes do ruído.
Deverão aplicar, com base na avaliação de riscos, algumas medidas que: sempre que possível, elimine a fonte do ruído, controle o ruído na fonte, reduza a exposição dos trabalhadores através de medidas organizacionais do trabalho e de disposição das instalações, incluindo pela sinalização e a restrição de acesso às áreas em que os trabalhadores ocorrem o risco de serem expostos a níveis de ruído superiores a 85 dB(A).
Os trabalhadores deverão ser informados e instruídos sobre os riscos que enfrentam, medidas para a redução do ruído e como utilizar equipamento de proteção auditiva.
 
Lembre-se: Com a utilização de Equipamento de Proteção Individual (EPI) e trabalhando com atenção, estará a contribuir para a prevenção de acidentes de trabalho.

 
 
Documentos de Referência:

sexta-feira, 3 de maio de 2013

DOENÇA DO LEGIONÁRIO


Esta semana achei pertinente alertar-vos para o conhecimento da doença do legionário, que é uma doença que pode ser contraída em qualquer lugar e até mesmo na nossa própria casa, se não existirem os devidos cuidados e controlos.
 
A doença do legionário, também conhecida como legionelose, é causada por bactérias do género legionella pneumophila, e consiste numa pneumonia bacteriana que surge de forma aguda e pode até, nos casos mais graves, levar à morte.
 
O agente infeccioso, encontra-se nas águas quentes sanitárias (ex. jacuzzis, chuveiros, banhos turcos, banheiras, entre outros), nos sistemas de ar condicionado (ex. torres de arrefecimento, condensadores de evaporação e humidificadores), fontes decorativas.
A infeção transmite-se por via aérea respiratória, através de gotículas de água (aerossóis) contaminadas. É pertinente referir que a doença não é transmissível de pessoa para pessoa e nem pela ingestão de água contaminada. A doença atinge maioritariamente adultos, entre os 40 e 70 anos de idade, com maior incidência nos homens. Os fumadores, pessoas com problemas respiratórios crónicos, doentes renais e de um modo geral imunodeprimidos têm maior probabilidade de contrair esta doença.

A bactéria legionella encontra-se nos ambientes aquáticos naturais, tais como lagos e rios. Mas pode colonizar os sistemas artificiais de abastecimento de água, nomeadamente as redes de grandes edifícios, como empreendimentos turísticos e Hospitais, desde que encontre as condições favoráveis ao seu desenvolvimento. As condições ótimas de multiplicação da bactéria são: a temperaturas entre 20ºC e 43ºC, e pH entre 2 e 8,5.
 
A doença manifesta-se através de uma ligeira dor de cabeça, dores musculares, febres altas, arrepios, insuficiência respiratória e tosse. Também pode ocorrer náuseas, vómitos, diarreia ou dores abdominais, mas com pouca frequência.
As primeiras manifestações clinicas surgem 5 ou 6 dias após a contaminação, sendo o seu período de incubação variável ente 2 a 10 dias.
 
O controlo e prevenção desta doença é realizado pelo diagnóstico precoce em casos suspeitos e pelo tratamento da potencial fonte de infeção provavelmente associada. Este tratamento consiste em: limpeza, desinfeção e manutenção das instalações e equipamentos contaminados.
 
O primeiro registo da doença do legionário surgiu no ano de 1976 em Filadélfia, nos EUA. Durante uma convenção de Legião Americana (American Legion) os participantes começaram a apresentar sintomas que se assemelhavam aos de uma gripe/pneumonia. Mais tarde, veio a confirmar-se que esses sintomas foram provocados por uma bactéria tendo sido designada por legionella.
Em Portugal, a doença foi descrita pela primeira vez em 1979. Desde 1999 está incluída na lista de doenças transmissíveis de declaração obrigatória (Portaria 1071/98 de 31 de Dezembro), sendo também obrigatório notificar à rede comunitária, segundo a Decisão da Comissão Europeia nº 2119/98/CE de 24 de Setembro de 1998. Os dados da doença dos legionários a nível Europeu são geridos pela rede European Working Group for Legionella Infections (EWGLINET).
Na Europa o maior surto da doença de legionário ocorreu em Espanha a Julho de 2001, onde foram registados mais de 800 casos, tendo apenas sido registadas 6 mortes.
 
Como futura Técnica de Saúde Ambiental crei que é importante existir um controlo das águas e dos sistemas de ar condicionado, para a prevenção da doença do legionário. No estágio anterior tive o privilégio de participar em colheitas de água para detetar a presença de Legionella, e foi-me muito gratificante participar neste tipo de colheita.
A participação e o contributo dos Técnicos de Saúde Ambiental (TSA), é muito importante, pois através da sua intervenção é possível vigiar o saneamento básico contra agentes transmissores da doença, e também promover e participar com várias entidades, no sentido de melhorar as condições sanitárias básicas, evitando assim que a bactéria se multiplique e possa causar problemas na saúde pública.
 
 

notícia

Bactéria que causa doença dos legionários detetada em 20% da água

Conclusão é de um estudo do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge
 
Vinte por cento das cerca de mil amostras de água provenientes de sistemas artificiais analisadas laboratorialmente revelaram a presença da bactéria Legionella, responsável pela Doença dos Legionários. A conclusão é de um estudo que recomenda programas de vigilância de pontos críticos.

O estudo sobre a «Prevalência de Legionella nos sistemas de água», publicado na última edição do Boletim Epidemiológico «Observações», do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), analisou 975 amostras provenientes de água para consumo humano (nomeadamente chuveiros), águas termais, águas industriais, de torres de refrigeração e de jacuzzi.

Das amostras analisadas entre janeiro de 2010 e junho do ano passado, 192 revelaram-se positivas para a Legionella, a bactéria responsável pela Doença dos Legionários, uma pneumonia grave, cuja infeção se transmite por via aérea (respiratória), através da inalação de gotículas de água ou por aspiração de água contaminada.
tvi 24, 2013-02-28
 
Documentos de Referência:
 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

ILUMINAÇÃO


Cerca de 80% dos estímulos sensoriais são de natureza ótica. Os olhos desempenham assim um papel fundamental no controlo dos movimentos e atividades do Homem.
Uma iluminação adequada é, pois, uma condição imprescindível para a obtenção de um bom ambiente de trabalho. A inobservância deste ponto resulta normalmente em consequências mais ou menos gravosas, tais como: danos visuais, menos produtividade e aumento do número de acidentes. Por exemplo, o cansaço decorrente de um esforço visual é função das condições ou características da iluminação.
A iluminação ideal é a que é proporcionada pela luz natural. Contudo, e por razões de ordem prática, o seu uso é bastante restrito, havendo necessidade de recorrer à luz artificial.
 
A qualidade da iluminação artificial de um ambiente de trabalho dependerá fundamentalmente:
ü  Da sua adequação ao tipo de atividade prevista;
ü  Da limitação do encadeamento;
ü  Da distribuição conveniente das lâmpadas;
ü  Da harmonização da cor da luz com as cores predominantes do local.
 
Risco associado a más condições de iluminação
Um aspeto importante a evitar em termos de Segurança no Trabalho é a fadiga visual, que se manifesta através de vários sintomas de incomodidade que vão desde uma visão toldada até dores de cabeça, contração dos músculos faciais e mesmo por uma postura geral do corpo incorreta.
A fadiga visual pode ter origens no excesso de atividade do músculo ciliar do cristalino ou na retina. Este último caso traduz-se por uma perda de sensibilidade á luz e é motivado pelo estreitamento do campo visual periférico, com o consequente agravamento na perceção das formas e cores, aquando de uma observação prolongada de um alvo fixo.
As pausas na observação têm um efeito benéfico sobre o tipo de fadiga visual.
 
Iluminação adequada
Embora as recomendações sobre os níveis de iluminação para diferentes países apresentem algumas discrepâncias, pode afirmar-se que, de um modo geral, os valores oscilam entre 150 a 2000 lux. A avaliação da iluminação é efetuada com base em normas de boas práticas para cada atividade, não existindo legislação aplicável.
Existem tabelas de valores de iluminância para cada tarefa e por ramo de atividade. Como orientação, poder-se-á utilizar o seguinte quadro:
 
Mínimo para locais de trabalho onde não se realizam atividades
100 - 150 lux
Classe I
Tarefas visuais simples, que não exigem grande esforço
250 - 500 lux
Classe II
Tarefas visuais contínuas e precisas
500 – 1000 lux
Classe III
Tarefas visuais contínuas e precisas
1000 – 2000 lux
Classe IV
Trabalho visual muito precioso, exigindo grande esforço
Acima de 2000 lux
Quadro I: Iluminâncias recomendadas em ambientes de trabalho (Miguel, A.S.)
 
Os valores de referência utilizados para definirmos o nível de iluminação adequado a cada atividade constam em normas internacionais, nomeadamente a norma DIN 5035-2:1990, norma ISO 8995:2002 e DIN EN 12464-1. No quadro seguinte constam os níveis de iluminação:
 
Nível
Iluminância
(lux)
Atividade
1
15
 
2
3
30
60
Orientação, só estadias temporárias
4
5
120
250
Tarefas visuais ligeiras com contrastes elevados
Ex.: trabalhos de armazéns, estaleiros, minas, salas de espera, trabalhos de pintura e polimento
6
7
500
750
Tarefas visuais normais com detalhes médios
Ex.: trabalhos de escritórios, processamento de dados, leitura, tingimento de couro, rebarbagem de vidro
8
9
1000
1500
Tarefas visuais exigentes com pequenos detalhes
Ex.: desenho técnico, comparação de cores, montagem de pequenos elementos em eletrónica
10
11
2000
3000
Tarefas visuais muito exigentes com detalhes muito pequenos
Ex.:Montagem de componentes miniaturizados, trabalhos de relojoaria, gravação, montagem fina, com tolerâncias muito apertadas
12
≥ 5000
Casos especiais
Ex.: salas de operações
Quadro II: Níveis de Iluminação (Miguel, A.S.)
 
A norma ISO 8995:2002 apresenta requisitos de iluminação interior de locais de trabalho para diferentes tarefas ou atividade. Os valores são em função das exigências visuais da tarefa realizada, da experiência prática e da necessidade de uma utilização ótima da energia ao menor custo.
 
Medição da Iluminação
A medição da iluminação é efetuada através de um equipamento com a designação de Luxímetro. É um equipamento destinado a medir o nível de iluminância de uma superfície. A sua unidade de medida é o lux.

O Luxímetro deverá ser colocado no local de trabalho, nomeadamente junto ao teclado e monitor, e no caso da sala de tratamentos, será também colocado na bancada de trabalho, sempre com o trabalhador no próprio local.
O objetivo de ser colocado com o trabalhador no local da medição, é para termos uma melhor perceção da forma como o mesmo se encontra exposto.
Numa avaliação da iluminação, caso não se verifiquem os valores recomendados, serão efetuadas recomendações por parte de Técnicos de Segurança e Saúde no Trabalho através de medidas corretivas.
  
Necessidade de uma boa distribuição de luz
Um nível de iluminação muito elevado é geralmente desaconselhável em cada prática, uma vez que aumentam o risco de reflexões prejudiciais, sombras muito carregadas e encadeamento.
O encadeamento instantâneo ou permanente aparece quando há uma distribuição muito desigual de luminosidade no campo de visão.
Na prática, devem ser evitados: tampos de mesa refletores, tábuas pretas em paredes brancas brilhantes com soalhos escuros, elementos de máquinas polidos.
Desta forma, a escolha da cor e dos materiais tem grande importância na conceção das paredes, mobiliário e grandes objetos numa sala.
As janelas devem estar equipadas com persianas ajustáveis ou com cortinas translúcidas, de modo a evitar um contraste excessivo em dias de sol.
Uma correta distribuição das fontes de luz no interior de um ambiente de trabalho tem igualmente uma importância fundamental na prevenção do encadeamento, como constam nas figuras seguintes.
 
Figura I: O ângulo entre a horizontal e a linha que vai do olho à lâmpada deve ser superior a 30°.
 
Figura II: Colocação de uma só lâmpada cuja reflexão atinge o campo de visão do operador, com o consequente risco de encadeamento.
Figura III: Reflexão de duas lâmpadas, colocadas lateralmente, que não atinge o campo de visão do operador, evitando-se assim o encadeamento.

 
Manutenção das instalações de iluminação
Primeiramente o importante cuidado a ter é a limpeza periódica das luminárias, a fim de que o rendimento das mesmas não seja afetado pela acumulação das poeiras. Também o estado das paredes e tetos deverá ser regularmente verificado. Os custos de uma eventual lavagem ou pintura são certamente compensados pelos ganhos na qualidade da iluminação. É igualmente importante a existência de uma boa ventilação.
Deverá ser feita periodicamente a limpeza, manutenção e substituição das lâmpadas, preferencialmente em hora conveniente, fora do horário normal de serviço.
 
Medidas Preventivas
Para terminar, deixo-vos com algumas medidas preventivas importantes para que todos possam ter boas condições de iluminação, nomeadamente:
Ø  Os locais de trabalho devem ser iluminados com luz natural, recorrendo-se à artificial complementarmente, quando aquela seja insuficiente;
Ø  As superfícies de iluminação natural devem ser dimensionadas e distribuídas de tal forma que a luz diurna seja repartida de modo uniforme. Sempre que necessário devem ser providas de dispositivos destinados a evitar o encadeamento (persianas e cortinas);
Ø  Devem ser evitadas superfícies de trabalho muito refletoras (optar por mate ou rugosas);
Ø  A distribuição de cores num determinado espaço deverá ser tal que não produza reflexos que não provoquem encadeamento. Para tal, a cor dos tetos e paredes deverá ser branca ou clara e os pavimentos devem possuir uma cor mais escura;
Ø  Os sistemas de iluminação fluorescente deverão ser alimentados por corrente elétrica trifásica, dividindo as lâmpadas pelas três fases. Se tal medida não for possível, colocar as lâmpadas fluorescentes aos pares (nunca em número ímpar), impondo cada par com um condensador;
Ø  Verificar regularmente o estado de funcionamento das fontes de iluminação artificial, procedendo à pronta substituição das lâmpadas que se encontram em mau estado.
 
Saúde, Segurança e Prevenção. Ambiente Seguro, trabalhador saudável!
 
 
Documentos de Referência: