quinta-feira, 25 de abril de 2013

ILUMINAÇÃO


Cerca de 80% dos estímulos sensoriais são de natureza ótica. Os olhos desempenham assim um papel fundamental no controlo dos movimentos e atividades do Homem.
Uma iluminação adequada é, pois, uma condição imprescindível para a obtenção de um bom ambiente de trabalho. A inobservância deste ponto resulta normalmente em consequências mais ou menos gravosas, tais como: danos visuais, menos produtividade e aumento do número de acidentes. Por exemplo, o cansaço decorrente de um esforço visual é função das condições ou características da iluminação.
A iluminação ideal é a que é proporcionada pela luz natural. Contudo, e por razões de ordem prática, o seu uso é bastante restrito, havendo necessidade de recorrer à luz artificial.
 
A qualidade da iluminação artificial de um ambiente de trabalho dependerá fundamentalmente:
ü  Da sua adequação ao tipo de atividade prevista;
ü  Da limitação do encadeamento;
ü  Da distribuição conveniente das lâmpadas;
ü  Da harmonização da cor da luz com as cores predominantes do local.
 
Risco associado a más condições de iluminação
Um aspeto importante a evitar em termos de Segurança no Trabalho é a fadiga visual, que se manifesta através de vários sintomas de incomodidade que vão desde uma visão toldada até dores de cabeça, contração dos músculos faciais e mesmo por uma postura geral do corpo incorreta.
A fadiga visual pode ter origens no excesso de atividade do músculo ciliar do cristalino ou na retina. Este último caso traduz-se por uma perda de sensibilidade á luz e é motivado pelo estreitamento do campo visual periférico, com o consequente agravamento na perceção das formas e cores, aquando de uma observação prolongada de um alvo fixo.
As pausas na observação têm um efeito benéfico sobre o tipo de fadiga visual.
 
Iluminação adequada
Embora as recomendações sobre os níveis de iluminação para diferentes países apresentem algumas discrepâncias, pode afirmar-se que, de um modo geral, os valores oscilam entre 150 a 2000 lux. A avaliação da iluminação é efetuada com base em normas de boas práticas para cada atividade, não existindo legislação aplicável.
Existem tabelas de valores de iluminância para cada tarefa e por ramo de atividade. Como orientação, poder-se-á utilizar o seguinte quadro:
 
Mínimo para locais de trabalho onde não se realizam atividades
100 - 150 lux
Classe I
Tarefas visuais simples, que não exigem grande esforço
250 - 500 lux
Classe II
Tarefas visuais contínuas e precisas
500 – 1000 lux
Classe III
Tarefas visuais contínuas e precisas
1000 – 2000 lux
Classe IV
Trabalho visual muito precioso, exigindo grande esforço
Acima de 2000 lux
Quadro I: Iluminâncias recomendadas em ambientes de trabalho (Miguel, A.S.)
 
Os valores de referência utilizados para definirmos o nível de iluminação adequado a cada atividade constam em normas internacionais, nomeadamente a norma DIN 5035-2:1990, norma ISO 8995:2002 e DIN EN 12464-1. No quadro seguinte constam os níveis de iluminação:
 
Nível
Iluminância
(lux)
Atividade
1
15
 
2
3
30
60
Orientação, só estadias temporárias
4
5
120
250
Tarefas visuais ligeiras com contrastes elevados
Ex.: trabalhos de armazéns, estaleiros, minas, salas de espera, trabalhos de pintura e polimento
6
7
500
750
Tarefas visuais normais com detalhes médios
Ex.: trabalhos de escritórios, processamento de dados, leitura, tingimento de couro, rebarbagem de vidro
8
9
1000
1500
Tarefas visuais exigentes com pequenos detalhes
Ex.: desenho técnico, comparação de cores, montagem de pequenos elementos em eletrónica
10
11
2000
3000
Tarefas visuais muito exigentes com detalhes muito pequenos
Ex.:Montagem de componentes miniaturizados, trabalhos de relojoaria, gravação, montagem fina, com tolerâncias muito apertadas
12
≥ 5000
Casos especiais
Ex.: salas de operações
Quadro II: Níveis de Iluminação (Miguel, A.S.)
 
A norma ISO 8995:2002 apresenta requisitos de iluminação interior de locais de trabalho para diferentes tarefas ou atividade. Os valores são em função das exigências visuais da tarefa realizada, da experiência prática e da necessidade de uma utilização ótima da energia ao menor custo.
 
Medição da Iluminação
A medição da iluminação é efetuada através de um equipamento com a designação de Luxímetro. É um equipamento destinado a medir o nível de iluminância de uma superfície. A sua unidade de medida é o lux.

O Luxímetro deverá ser colocado no local de trabalho, nomeadamente junto ao teclado e monitor, e no caso da sala de tratamentos, será também colocado na bancada de trabalho, sempre com o trabalhador no próprio local.
O objetivo de ser colocado com o trabalhador no local da medição, é para termos uma melhor perceção da forma como o mesmo se encontra exposto.
Numa avaliação da iluminação, caso não se verifiquem os valores recomendados, serão efetuadas recomendações por parte de Técnicos de Segurança e Saúde no Trabalho através de medidas corretivas.
  
Necessidade de uma boa distribuição de luz
Um nível de iluminação muito elevado é geralmente desaconselhável em cada prática, uma vez que aumentam o risco de reflexões prejudiciais, sombras muito carregadas e encadeamento.
O encadeamento instantâneo ou permanente aparece quando há uma distribuição muito desigual de luminosidade no campo de visão.
Na prática, devem ser evitados: tampos de mesa refletores, tábuas pretas em paredes brancas brilhantes com soalhos escuros, elementos de máquinas polidos.
Desta forma, a escolha da cor e dos materiais tem grande importância na conceção das paredes, mobiliário e grandes objetos numa sala.
As janelas devem estar equipadas com persianas ajustáveis ou com cortinas translúcidas, de modo a evitar um contraste excessivo em dias de sol.
Uma correta distribuição das fontes de luz no interior de um ambiente de trabalho tem igualmente uma importância fundamental na prevenção do encadeamento, como constam nas figuras seguintes.
 
Figura I: O ângulo entre a horizontal e a linha que vai do olho à lâmpada deve ser superior a 30°.
 
Figura II: Colocação de uma só lâmpada cuja reflexão atinge o campo de visão do operador, com o consequente risco de encadeamento.
Figura III: Reflexão de duas lâmpadas, colocadas lateralmente, que não atinge o campo de visão do operador, evitando-se assim o encadeamento.

 
Manutenção das instalações de iluminação
Primeiramente o importante cuidado a ter é a limpeza periódica das luminárias, a fim de que o rendimento das mesmas não seja afetado pela acumulação das poeiras. Também o estado das paredes e tetos deverá ser regularmente verificado. Os custos de uma eventual lavagem ou pintura são certamente compensados pelos ganhos na qualidade da iluminação. É igualmente importante a existência de uma boa ventilação.
Deverá ser feita periodicamente a limpeza, manutenção e substituição das lâmpadas, preferencialmente em hora conveniente, fora do horário normal de serviço.
 
Medidas Preventivas
Para terminar, deixo-vos com algumas medidas preventivas importantes para que todos possam ter boas condições de iluminação, nomeadamente:
Ø  Os locais de trabalho devem ser iluminados com luz natural, recorrendo-se à artificial complementarmente, quando aquela seja insuficiente;
Ø  As superfícies de iluminação natural devem ser dimensionadas e distribuídas de tal forma que a luz diurna seja repartida de modo uniforme. Sempre que necessário devem ser providas de dispositivos destinados a evitar o encadeamento (persianas e cortinas);
Ø  Devem ser evitadas superfícies de trabalho muito refletoras (optar por mate ou rugosas);
Ø  A distribuição de cores num determinado espaço deverá ser tal que não produza reflexos que não provoquem encadeamento. Para tal, a cor dos tetos e paredes deverá ser branca ou clara e os pavimentos devem possuir uma cor mais escura;
Ø  Os sistemas de iluminação fluorescente deverão ser alimentados por corrente elétrica trifásica, dividindo as lâmpadas pelas três fases. Se tal medida não for possível, colocar as lâmpadas fluorescentes aos pares (nunca em número ímpar), impondo cada par com um condensador;
Ø  Verificar regularmente o estado de funcionamento das fontes de iluminação artificial, procedendo à pronta substituição das lâmpadas que se encontram em mau estado.
 
Saúde, Segurança e Prevenção. Ambiente Seguro, trabalhador saudável!
 
 
Documentos de Referência:

sexta-feira, 19 de abril de 2013

FINALIDADE DAS MEDIÇÕES DA QUALIDADE DO AR INTERIOR


Na semana passada falei-vos sobre os critérios a ter para a realização das medições da Qualidade do Ar Interior, achei pertinente falar-vos sobre a finalidade deste tipo de medições, bem como dos fatores que mais contribuem para a qualidade do ar no interior.
 
Desta forma, é importante a realização de medições do ar interior para que seja possível avaliar  a presença dos vários poluentes, com o intuito de prevenir ou minimizar riscos para a saúde pública.
 
As medições da qualidade do ar têm como finalidade:
ü  Estabelecer condições de base, de modo a que os níveis medidos em áreas problemáticas possam ser comparados com as concentrações registadas noutras datas e noutros locais;
ü  Comparar a qualidade do ar interior com a do ar exterior;
ü  Testar a hipótese sobre a fonte do problema;
ü  Confirmar que um procedimento de controlo tem o efeito desejado de reduzir as concentrações de poluente ou o melhoramento da ventilação;
ü  Revelar a existência de compostos associados, com os problemas particulares de edifícios (uma leitura de dióxido de carbono superior a 1800 mg/m³ é indicadora de baixa ventilação, leituras de monóxido de carbono acima dos 12,5 mg/m³ constituem um indicador da existência de produtos de combustão não ventilados ou do arrastamento de produtos provenientes do escape dos veículos);
ü  Comparar os valores das medições com os valores limites das concentrações estabelecidas, e/ou com Normas específicas de saúde pública e de conforto para poluentes específicos.
 
A qualidade do ar no interior de espaços depende de inúmeros fatores, destacando-se os seguintes:
ü  Emissão de poluentes no interior de edifício provenientes de materiais de construção e mobiliário, alcatifas, isolamentos deteriorados, processos de combustão, utilização de produtos químicos (produtos de limpeza), produtos de bricolage, sistemas de aquecimento e arrefecimento, sistemas de humidificação, bioefluentes, entre outros;
ü  Infiltração de poluentes do ar interior, tais como radão, ozono, monóxido de carbono, pesticidas;
ü  Acumulação de poluentes no interior devido à inexistência de sistemas de ventilação ou no caso de existirem serem deficientes e com baixas renovações de ar.
 
A concentração local de poluentes depende de fatores, como:
Ø  Taxa de emissão;
Ø  Caudal de ar novo;
Ø  Características do ar novo/concentração de poluentes no ar interior;
Ø  Sistemas de ventilação;
Ø  Características do compartimento – dimensões geográficas, tipos de revestimento e mobiliário.
 
O esquema seguinte resume os fatores que mais contribuem para a qualidade do ar no interior. Os fatores a sombreado são os que, segundo estudos efetuados, mais contribuem para os valores de poluentes encontrados.
 
Figura I: representação esquemática dos fatores que afetam a qualidade do ar interior

De acordo com a ASHRAE (American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning Engineers) a qualidade do ar pode ser aceitável se:
v  No ar interior não se verificam concentrações nocivas de contaminantes;
v  Uma maioria substancial (mais de 80%) das pessoas expostas a um determinado ar interior não apresenta desagrado em relação as condições de qualidade do ar interior.
 
 
CASOS PRÁTICOS
Para finalizar deixo-vos alguns exemplos de casos de práticos de medições de qualidade do ar no interior de edifícios, bem como as medidas que poderão ser propostas mediante os valores das concentrações obtidas, comparando com a legislação aplicável (Decreto-Lei nº 79/2006, de 4 de Abril).
 
Local
Parâmetros crítico(s)
Concentração obtida
Fontes
(causas)
Medidas propostas
Escritório
Formaldeído
0,26 ppm
Mobiliário
Ajuste dos níveis de ventilação no local
 
Open Space
Dióxido de Carbono
2000 ppm
 
Sobrelotação
Instalação de um sistema de ventilação e reorganização da ocupação dos espaços
 
 
Gabinete Médico
Formaldeído, Dióxido de Carbono e Compostos Orgânicos Voláteis
0,28 ppm;
0,31 ppm; 1184 ppm
 
Mobiliário
Bioefluentes
Produtos Químicos
 
 
Renovação do ar
 
 
Laboratório
Monóxido de Carbono, Compostos Orgânicos Voláteis e Bactérias
1355 ppm; 0,41 ppm;
653 UFC/m³
 
 
Sobrelotação
Perfumes
Instalação de um sistema de ventilação e reorganização da ocupação dos espaços
 
 
Sala de Espera
Formaldeído, Dióxido de Carbono e Compostos Orgânicos Voláteis
0,13 ppm; 1079 ppm; 0,29 ppm
 
 
Sobrelotação
Bioefluentes
 
Reorganização da ocupação dos espaços e ajuste dos níveis de ventilação à intensidade de utilização
 

Saúde, Segurança e Prevenção contribuem para um ambiente seguro e um trabalhador saudável.
 
 

Documentos de Referência: